Chico, o show

28
maio

Chico Buarque de Hollanda é um artista único, dono de uma carreira personalíssima construída na história da música popular brasileira. O compositor retorna aos palcos após cinco anos desde sua última turnê para lançar o álbum “Chico”, CD que já vendeu 80 mil cópias e conta com 10 faixas que passeiam por ritmos como blues, baião, valsa, marchinha e samba. Entretanto o show intimista de Chico vasculha outros cantos e títulos de sua obra, revisitando canções de todas as fases da sua carreira, do início dos anos 60 até hoje. Assistir a um show de Chico Buarque é um evento raro, tendo em vista que ele protagonizou apenas seis espetáculos musicais durante os últimos 36 anos de carreira. No palco, projeções que interagem com a cenografia e com os músicos, dão o tom da iluminação ao cenário que reproduz em dimensões gigantes duas pinturas de Portinari e um desenho do amigo de Chico, Oscar Niemeyer. Ao fazer uma releitura da consagrada “Cálice”, Chico lança mão da transposição realizada pelo cantor paulistano Criolo, tornando a música mais atual. Na nova versão, Chico Buarque curiosamente canta “Afasta de mim a biqueira, pai /Afasta de mim as biate, pai /Afasta de mim a coqueine, pai /Pois na quebrada escorre sangue”. Outras canções como “Anos Dourados”, “Desalento”, “Geni e o Zepelim” e “Bastidores”, que não eram apresentadas há muito tempo, integram o novo show. Desde o primeiro romance Estorvo (1991) ao mais recente Leite Derramado (2009), o senhor Chico alterna seus lançamentos entre música e literatura. Esse último disco, aliás, é talvez o mais influenciado pela sua verve literária. Junto a grandes músicos e uma impecável equipe de bastidores, o “Velho Francisco” soa atual, inspirado e afiadíssimo como sempre.

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