A Evolução do Consumo do Café

24
abr

O Brasil é o maior produtor mundial do café em grão verde (sementes do café, que serão depois torradas e moídas) e em breve deve se ter o maior mercado consumidor de café (a bebida, já na xícara). É importante lembrar que o perfil de consumo de café no Brasil é  típico de país produtor, onde a facilidade de obtenção de matéria-prima pela indústria propicia o surgimento de péssimos cacoetes como a utilização de subprodutos do café e de impurezas.

Como sempre foi um importante produto da pauta de exportação do Brasil, criou-se um senso comum de que os grãos de café que por aqui ficam são resíduos dos que seguiram para além-mar. Finalmente, no imaginário de quem prepara e de quem consome de forma mais tradicional, existe a forte referência de que o café tem de ser “negro como a noite e quente como o inferno”, o que acabou por reger o surgimento do modo típico de preparo no Brasil: o Cafezinho.

O tradicional Cafezinho é preparado a partir de um pó finamente moído misturado à água fervente, numa proporção que varia entre 1 para 7 (4 colheres de sopa) a 1 para 10 (6 colheres de sopa), antes de ser despejado num coador de flanela de algodão, que possui uma trama não muito fechada. Isto faz obter uma bebida genericamente encorpada, devido à grande presença de sólidos dissolvidos, e com maior amargor, devido à maior presença de cafeína. Via de regra, o Cafezinho é sinônimo de cortesia, parte integrante da etiqueta em ambiente doméstico ou profissional, tendo-se incorporado e até mesmo cedido seu nome aos momentos de pausa, a chamada “Parada do Cafezinho”.

O Espresso no Brasil tem uma história bastante recente. Sua chegada em nosso país criou um novo patamar preços graças a introdução de ma nova parafernália de equipamentos, juntando-se imponentes máquinas de grupo e os quase sempre ruidosos moinhos.

É interessante observar que, desde o princípio, o Espresso se diferenciou do tradicional Cafezinho porque se impôs como um novo serviço. Logo ficou clara a imagem para o consumidor médio de que o Espresso é melhor do que o Cafezinho porque o diferencial de preço era, e ainda é, sensivelmente maior.

Nos anos 90, os pontos de serviço estavam no início de sua revolução, quando duas redes de cafeterias despontavam, o Café do Ponto e o Fran´s Café, trazendo para o consumidor brasileiro novas bebidas como o Cappuccino. O Café do Ponto, na época sob a batuta do visionário Américo Sato, teve a ousadia de servir cafés de grãos  produzidos em diferentes origens brasileiras como a Mogiana, Sul de Minas, Cerrado e
Alta Paulista.

A possibilidade de passar por novas Experiências Sensoriais é o que nos dá condição de comparar serviços e produtos. É quando, através desse acúmulo de experiências, podemos perceber quão bom ou sofrível é o serviço em determinados locais ou se um café de uma cafeteria é muito superior ao de outra.

Consumidores com mais conhecimento são consumidores mais exigentes, obrigando à cadeia do café ao constante aperfeiçoamento dos serviços e na manutenção da excelência dos produtos.

As Cafeterias são o Ponto de Serviço próprio e exclusivo para o consumo do café. É o ambiente onde tudo gira em torno dessa fantástica semente! Com o fácil acesso às informações com as novas tecnologias, os consumidores passaram a se interessar mais sobre quem e como se produz os grãos que se transformarão em apaixonantes bebidas.  Origem é a palavra do momento!

A nova revolução no mercado do café, assim como já acontece com outros de bebidas e alimentos, é o da apresentação do produtor diretamente aos consumidores. É essa transparência que se destaca como característica das Novas Cafeterias!

As primeiras tinham como maior preocupação o seu nome. Em seguida, vieram aquelas que, já empregando máquinas e equipamentos de alto nível, tinham como principal personagem o Barista, profissional especializado no preparo do café.

As Novas Cafeterias, além de terem equipamentos de ponta para um serviço impecável e baristas muito bem treinados, o principal personagem é…. o Grão de Café! Mostrar onde um lote de café foi produzido, quem é o produtor e qual foi a variedade escolhida, enfim conhecer toda a história daquela semente que vai proporcionar verdadeiras viagens  sensoriais, é, antes de tudo, um sinal de transparência e de respeito ao consumidor. Esta é a essência do Programa DIRECT TRADE BRASIL, um movimento em que há uma forte comunicação sobre a origem dos grãos servidos nessas Novas Cafeterias, como a Genot Cafés Especiais, junto aos seus consumidores. Se o café servido é delicioso, esbanjando sabores e criando uma boa experiência sensorial, tanto melhor será se o seu autor for apresentado!

Ao pedir o seu próximo café, Espresso ou Coado, pergunte ao Barista qual é a origem do grão que está sendo servido. Uma bebida acompanhada de uma boa história será sempre inesquecível!

Ensei Neto

Ensei Neto é Engenheiro Químico com especialização em Tecnologia de Alimentos e Marketing. Consultor em Marketing e Qualidade de Cafés Especiais. Juíz Certificado SCAA (Specialty Coffee Association of America). Mantém o blog The Coffee Traveler (www.coffeetraveler.net).

 

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